Saber quais temas estão no radar da ANPD é só o começo. O desafio seguinte é entender onde essas prioridades aparecem dentro da própria operação.
Direitos dos titulares, proteção de crianças e adolescentes, tratamento de dados pelo Poder Público e inteligência artificial compõem o Mapa de Temas Prioritários da ANPD para 2026 e 2027.
Assim, para áreas como Compliance, Jurídico e proteção de dados, esse mapa pode servir como ponto de partida para uma revisão mais objetiva dos processos internos.
Ainda não viu quais temas estão no mapa?
No primeiro artigo, explicamos onde a ANPD pretende concentrar sua fiscalização e o que mudou em relação ao ciclo anterior.
Comece relacionando as prioridades aos seus processos
O primeiro passo é identificar em quais atividades da empresa os temas que a ANPD destacou aparecem.
| Prioridade da ANPD | Onde olhar dentro da empresa |
|---|---|
| Direitos dos titulares | Atendimento de solicitações, dados biométricos, financeiros e de saúde, perfilamento e usos secundários |
| Crianças e adolescentes | Produtos, serviços ou processos que envolvam esse público |
| Poder Público | Fluxos de compartilhamento ou tratamento de dados envolvendo órgãos públicos |
| IA e tecnologias emergentes | Sistemas e ferramentas de IA que utilizem dados pessoais |
Essa relação ajuda a sair de uma leitura genérica do mapa e, assim, localizar quais processos merecem atenção mais próxima.
Uma empresa pode, por exemplo, utilizar reconhecimento biométrico no controle de acesso, empregar uma ferramenta de IA que processa informações de colaboradores ou manter operações que envolvem dados de crianças e adolescentes.
Cada situação, portanto, exige um olhar diferente sobre finalidade, responsáveis, controles e registros.
Onde existe menos visibilidade?
Depois de localizar os processos, vale observar onde a empresa tem mais dificuldade para responder perguntas simples sobre o tratamento que realiza.
A empresa consegue identificar quem responde pelo processo? Ela registrou a finalidade do uso dos dados? Consegue recuperar os controles que aplicou? Existe histórico das decisões que ela tomou?
Essas perguntas ajudam a revelar uma diferença importante: ter um procedimento definido é diferente de conseguir acompanhar sua execução.
Quando informações ficam espalhadas entre planilhas, e-mails, formulários e diferentes áreas, reconstruir o histórico de uma operação pode se tornar trabalhoso. Esse ponto, aliás, ganha ainda mais peso em temas que a ANPD já colocou entre suas prioridades de fiscalização.
Como organizar a revisão?
A revisão não precisa tratar todos os processos da mesma maneira.
Uma forma prática de começar é separar as operações em três grupos:
- Processos já estruturados: com responsáveis, controles e registros identificados;
- Processos existentes, mas com informações dispersas: ou acompanhamento limitado;
- Processos que precisam de análise mais detalhada: diante das prioridades atuais da ANPD.
Essa divisão permite concentrar atenção onde existe menor visibilidade ou maior dificuldade de comprovação. Além disso, ajuda a evitar uma revisão ampla demais. Assim, nem toda operação recebe o mesmo nível de esforço, independentemente do risco ou da relação com os temas prioritários.
A revisão precisa chegar até a operação
Depois de identificar os pontos que exigem atenção, o próximo passo é verificar se os controles definidos aparecem de fato na rotina.
Se existe um fluxo para atender solicitações de titulares, por exemplo, deve ser possível acompanhar quem recebeu a demanda, qual tratamento a empresa deu a ela e como a encerrou.
Se uma ferramenta de IA utiliza dados pessoais, a empresa precisa conseguir identificar sua finalidade, os responsáveis pelo processo e os registros relacionados ao uso.
O mesmo raciocínio vale, portanto, para compartilhamentos de dados, tratamentos sensíveis e outras operações ligadas às prioridades da ANPD.
Por isso, mapear processos, definir responsáveis, acompanhar controles e manter registros fazem parte da mesma lógica de governança.
A revisão passa a ser mais útil, então, quando permite responder não apenas “qual é a nossa política?”, mas também “como conseguimos demonstrar o que aconteceu?”. Os módulos de Políticas e Normas e Formulários da Gopliance ajudam a responder exatamente essa segunda pergunta: cada aprovação, revisão e controle fica registrado com responsável, prazo e histórico.
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O Mapa de Temas Prioritários mostra onde a ANPD pretende concentrar atenção em 2026 e 2027. Para as empresas, ele também oferece uma oportunidade de olhar para dentro. Assim, dá para identificar onde processos, controles e registros precisam estar mais organizados.
Quanto mais fácil for localizar responsáveis, acompanhar decisões e recuperar evidências, maior será a capacidade de demonstrar como a empresa conduziu cada processo.
Fontes consultadas
- ANPD — Resolução CD/ANPD nº 30/2025, que aprova o Mapa de Temas Prioritários para 2026–2027.
- ANPD — Nota Técnica nº 54/2025/FIS/CGF/ANPD, com metodologia, objetivos e atividades previstas para os temas prioritários.
- ANPD — Mapa de Temas Prioritários 2026–2027 e atualização da Agenda Regulatória 2025–2026.
- ANPD — “Saiba como fiscalizamos”, com os temas dos ciclos 2024–2025 e 2026–2027.
Informações regulatórias verificadas em 8 de setembro de 2026.






